Eu gosto da referencia da escrita japonesa para a escrita dessa área de conhecimento: 心理学
(Shinrigaku).

Ela é composta principalmente dos 2 primeiros ideogramas: 心 e 理 onde significa coração e mente respectivamente. O ultimo ideograma é referente a estudo. Para a visão japonesa, mas também a chinesa a psicologia é o estudo do coração e da mente.
Na MTC, corpo, mente e espírito são uma coisa só. Não existe separação. Por isso, para entender a nossa psique, precisamos primeiro olhar para o centro do nosso peito.
Aqui estão 3 princípios fundamentais de como a sabedoria oriental enxerga a nossa saúde mental:
- O Coração (Xin) como o Imperador: Nos textos clássicos chineses, o Coração é considerado o “Soberano” de todos os órgãos. Ele não apenas impulsiona o sangue pelo corpo, mas é o grande maestro da nossa vida emocional e consciente.
- A Morada do Shen (Mente/Espírito): O termo Shen engloba nossos pensamentos, nossa consciência, memória, afeto e a qualidade do nosso sono. Quando o Coração está nutrido e em equilíbrio, o Shen repousa em paz. O resultado? Clareza mental, alegria genuína e vitalidade. Quando está em desequilíbrio, surgem a ansiedade, a insônia e a confusão mental.
- O Ponto de Encontro das Emoções: A MTC associa cada emoção a um órgão específico (a raiva ao Fígado, a tristeza ao Pulmão, a preocupação ao Baço). No entanto, o Coração é o mestre que sente todas elas. Qualquer choque emocional duradouro ou extremo acabará, invariavelmente, agitando o Coração.
“Tratar a mente sem acolher o coração é como tentar acalmar as ondas do mar sem olhar para a força do vento.”
Para a Medicina Tradicional Chinesa, a ansiedade, a depressão ou o estresse não são apenas “problemas no cérebro”. São sintomas de um Coração que perdeu o seu ritmo, seja por falta de energia (Qi), deficiência de sangue ou excesso de calor. A verdadeira terapia envolve reequilibrar o corpo físico para que ele volte a ser um lar seguro para a mente.
Nessa perspectiva milenar, a psicologia deixa de ser apenas a análise racional dos pensamentos e passa a ser, verdadeiramente, a arte de apaziguar o coração, reconhecendo e integrando os seus opostos.
E você? Como está o “Imperador” do seu corpo hoje: agitado ou em paz?
